Ser Filha de Pais Separados

Lembro-me de que quando era mais miúda havia um grande estigma em relacao a filhos de pais separados. Como se essas criancas estivessem de certa forma em sofrimento e nao se fossem desenvolver tao bem como aquelas criadas pelos pais enquanto casal.
Ora eu sou filha de pais separados. Aconteceu quando tinha 3 anos e picos. Nao me lembro de ter sofrido por ter um pai ausente. Durante a minha infancia tive uma mae muito presente e um padrasto com quem tinha muita cumplicidade e que alinhava sempre nas minhas brincadeiras e malandrices. Tive férias e festas de anos memoráveis. Uns avós que estiveram sempre presentes e me deram muito mimo. Fui relativamente boa aluna e fora alguns “dramas” na adolescencia fui muito feliz.
Cresci aparentemente sem mazelas pelo facto de ter crescido numa casa onde o meu pai nao estava presente.
No entanto é inevitável nao pensar de vez em quando como seria se o meu pai fosse um pai presente e nao um pai ausente. Isto independentemente da separacao. Como seria partilharmos as coisas do dia-a-dia, os nossos interesses, as nossas ideias, os nossos problemas, etc.
Até ao inicio desta semana nutria uma secreta esperanca de um dia fazer parte da vida do meu pai. Mas quando esse mesmo pai rotula a nossa relacao de “artificial” a esperanca morre e isso dói muito. Aí pára-se para pensar melhor e chega-se a conclusao que nao faz sentido ter alguém “por favor” na nossa vida e que há que seguir em frente com todos aqueles que sempre estiveram presentes!

5 thoughts on “Ser Filha de Pais Separados

  1. Mary Jane says:

    Doi.
    Mas tem de ser…a minha relação com o meu avô era assim. Até que chegou o dia em que rebentei de tanta falsidade. Hoje, não falamos. Com um pai deve ser muito mais complicado, claro.
    Uma dose dupla de força para ti *

    With love,
    Jane

  2. peixuni says:

    Cara Sofia,passei exactamente pelo mesmo á mesma idade.A minha unica diferença foi que nunca tive o padrasto que tiveste e felizmente,nunca tive de ouvir as atrocidades que tiveste de ouvir do teu pai..independentemente daquilo que ele achar,acho que devias retirar o que ele tem de melhor e abstrair-te daquilo que menos gostas nele..é teu pai e nao queres arrepender-te mais tarde de nao teres tentado tudo o que estava ao teu alcance.Se infelizmente não for possivel manter uma relaçao com ele..lembra-te que felizmente nao estas sozinha no mundo e que certamente teras alguem que gostaria que lhe chamasses de pai.
    Mt força e lembrate que quando choramos por nao termos uma mao,alguem chora por nao ter um braço!

  3. Madalena Bensusan says:

    Querida Bia, nem sempre o que escrevemos é sinónimo do que sentimos, somos levados a escrever por um turbilhão de emoções, e nem sempre as pessoas que estão ao nosso lado, são de facto imparciais,somos como que "empurrados" a fazê-lo. Quantas vezes as folhas do meu caderno receberam palavras que passados dias/meses/anos ao ler não me revi nesses sentimentos…
    Os Pais são sempre nas nossas vidas eternos, sejam eles feios, maus companheiros, ausentes, são os nossos Pais… sei que será sempre mais fácil "abandonar" quem nos magoou, dificil é conseguirmos fazer com que elas se transformem em algo melhor, impossível, não, o Amor e o afecto fazem de facto milagres…
    A Mãe que te adora incondicionalmente

  4. Violeta says:

    Olá Sofia! pode ser que já estejas novamente empregada e feliz no novo trabalho, mas se não estiveres, venho lhe sugerir que busques trabalho em um site que procura falantes de português, são muitas as ofertas que recebo diariamente.
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    Boa sorte!

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